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A importância do consumo de fermentados 

A importância do consumo de fermentados 

 

 

A importância do consumo de fermentados 
Kombucha, chucrute, kefir…tudo palavras (e alimentos) desconhecidos até há alguns anos, mas que têm ganho um grande destaque nas nossas prateleiras e ementas! A verdade é que os alimentos fermentados estão na moda e há modas que vêm por bem…precisamos deles mais do que nunca! Apesar desta ascensão dos alimentos fermentados ter surgido nos últimos anos, a tradição já existe há milénios! Alguns vasos de barro do período neolítico indicam que os nossos antepassados já produziam bebidas fermentadas há 10.000 anos (McGovern et al, 2004)! A verdade é que antigamente os fermentados eram preparados essencialmente por necessidade de conservação dos alimentos (somos uns sortudos por ter frigoríficos!). Com os avanços na tecnologia e com a industrialização e produção massiva dos alimentos, a tradição dos fermentados foi desaparecendo. Mas agora, mais do que nunca, precisamos de recuperar esta cultura!
O papel dos alimentos fermentados
Porque é que os alimentos e bebidas fermentadas são tão importantes? O que têm de diferente dos restantes alimentos? O tempo e o ar fazem com que uma simples couve com sal passe a ter imensas bactérias benéficas,
novos sabores, texturas e vitaminas. É esta a magia da fermentação, que torna alimentos vegetais ainda mais benéficos e interessantes a nível nutricional.

As bactérias benéficas – conhecidas como probióticos – são a principal vantagem dos alimentos e bebidas fermentadas. A nossa microbiota, também conhecida por “flora intestinal”, diz respeito ao nosso conjunto de bactérias intestinais (milhões delas!). Estas bactérias regulam a nossa digestão, função imunitária e outros aspetos da nossa saúde. Existe ainda uma grande ligação entre a saúde intestinal e a saúde mental. Segundo o maior estudo até hoje sobre a microbiota (McDonald et al, 2018), a microbiota apresenta características diferentes em pessoas saudáveis e aquelas que têm alguma perturbação mental. Incrível, não?
Qualquer fermentado é riquíssimo em bactérias probióticas que são benéficas ao nosso organismo e que podem ajudar a manter uma boa saúde digestiva e geral. Muitos alimentos fermentados comuns, como o chucrute,
kimchi, kefir, kombucha e miso normalmente contêm bactérias benéficas em quantidades consideráveis e dentro das quais uma porção relativamente grande sobrevive no nosso trato digestivo (Derrien et al, 2015). Mas, é preciso
escolher bem este tipo de produtos, pois nem sempre as bactérias permanecem vivas e felizes dentro deles! Por exemplo, no caso de um chucrute pasteurizado, uma boa parte dos microrganismos desaparece. Por
isso, dê preferência aos alimentos fermentados caseiros! Sei que podem parecer um bicho de sete cabeças no início, mas com um pouco de treino e aprendizagem, vai passar a querer fermentar tudo!

Porquê precisamos mais do que nunca dos alimentos fermentados?
Os nossos corpos são feitos se para autor-regularem e serem uma autêntica máquina de cura. No entanto, há diferentes fatores do nosso estilo de vida agitado que têm enfraquecido a nossa saúde intestinal e a capacidade
do nosso corpo para funcionar adequadamente, sendo necessário um “reforço” de bactérias benéficas!
A nossa microbiota começa a formar-se logo no início da vida, durante a gravidez e o parto. Sabia que as primeiras bactérias benéficas que recebemos, são as da vagina da nossa mãe, durante o parto natural? E, nos próximos meses e anos, é o leite materno que nos nutre e fornece os micróbios necessários. Como cada vez há mais bebés a nascer por cesariana e a amamentar durante menos tempo, a microbiota vai-se alterando, porque recebe diferentes tipos de bactérias.
No entanto, não controlamos estas influências do início da nossa vida…no entanto , existem outros fatores que podesmos controlar e estão ao alcance de todos. Em primeiro lugar, um grande inimigo da saúde da nossa microbiota é o stress. Qualquer que seja o nosso estilo de vida e trabalho, regra geral, experienciamos níveis de stress elevados. Parece que “estar stressado” e andar sempre agitado até é uma moda e algo fixe! Mas sabia que bastam 2 horas de exposição à alguma fonte social de stress para afetar significativamente algumas bactérias intestinais (Galley et al, 2014)? Como o stess está constantemente presente no nosso dia-a-dia, a nossa microbiota
vai sendo alterada, pelo que precisamos de lhe dar um reforço de probióticos!
Para além do stress, a alimentação ocidental também foi mudando a nossa microbiota ao longo das décadas. O alimento das bactérias intestinais e aquilo que as mantém vivas e felizes é a fibra. A fibra está presente apenas
em alimentos de origem vegetal e é de melhor qualidade quando estes alimentos estão no seu estado natural (por exemplo, cereais integrais em vez de farinhas brancas de cereais). Como a alimentação é cada vez mais industrializada e rica em açúcar e gordura, a qualidade e quantidade de fibra consumida diminui…deixando as nossas bactérias tristes e com fome!
Por último, nas últimas décadas tem havido uma tendência que tem colocado em risco a nossa saúde geral e intestinal: a toma cada vez mais frequente de antibióticos. Já deve ter ouvido falar que a população em geral
está a ficar cada vez mais resistente aos antibióticos, o que pode vir a ser um problema grave de saúde pública muito em breve. Para além disso, os antibióticos, tal como o nome indica, matam as bactérias más…mas também
as boas! Mesmo os antibióticos de prescrição mais comuns são capazes de alterar a nossa diversidade microbial durante um mês (Buffie et al, 2012)!
Não estou a dizer que não se deve tomar antibióticos quando é mesmo necessário, de todo! Mas, depois da toma destes, reforce o consumo de alimentos fermentados, favorecendo assim o desenvolvimento de  mais bactérias boas!
Em conclusão, o nosso estilo cada vez mais agitado e alimentação cada vez mais industrializada criam um ambiente pouco feliz para as nossas bactérias intestinais. Por isso, é urgente recuperar a tradição de fazer e consumir alimentos e bebidas fermentadas!
Veja aqui a receita  de chucrute de beterraba da BeatRoot e experimente a magia dos fermentados.
Pode também consultar aqui um ebook cheio de receitas deliciosas de fermentados.
 
Referências
  1. Buffie, Charlie G. et al. Profound alterations of intestinal microbiota following a single dose of clindamycin results in sustained susceptibility to Clostridium difficile-induced colitis. Infection and immunity, v. 80, n. 1, p. 62-73, 2012.
  2. Derrien, Muriel; Van Hylckama Vlieg, Johan ET. Fate, activity, and impact of ingested bacteria within the human gut microbiota. Trends in microbiology, v.23, n. 6, p. 354-366, 2015.
  3. Galley, Jeffrey D. et al. Exposure to a social stressor disrupts the community structure of the colonic mucosa-associated microbiota. BMC microbiology, v.14, n. 1, p. 189, 2014.
  4. McDonald, D., Hyde, E., Debelius, J. W., Morton, J. T., Gonzalez, A., Ackermann, G., … & Goldasich, L. D. (2018). American gut: an open platform for citizen science microbiome research. mSystems, 3(3), e00031-18. ISO 690.
  5. McGovern, P. E., Zhang, J., Tang, J., Zhang, Z., Hall, G. R., Moreau, R. A., … & Cheng, G. (2004). Fermented beverages of pre-and proto-historic China. Proceedings of the National Academy of Sciences, 101(51), 17593-
    17598.
Autora do Blog "Dicas da Oksi"

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